Ex-deputado federal Marcelo Squassoni recebia mesada de R$ 60 mil

de G1

O ex-deputado federal e ex-vereador Marcelo Squassoni (PRB-SP), preso na segunda fase da Operação Tritão, deflagrada nesta quinta-feira (22), recebeu ao menos R$ 1,6 milhão em propina de atos de corrupção no Porto de Santos, segundo o Ministério Público Federal (MPF). A investigação indicou que ele liderava um esquema ilícito e recebia até R$ 60 mil de mesada.

Contra Squassoni há um mandado de prisão temporária, válido por cinco dias. Ele não foi localizado em seu apartamento em Guarujá pela manhã, mas o local foi alvo de buscas. O político estava na capital paulista e se apresentou na Superintendência da PF. A defesa dele condenou a prisão e afirmou que vai entrar com um pedido para revogá-la.

"Ele [Marcelo Squassoni] já recebeu mais de R$ 1 milhão somente de um empresário, e dois carros usados pelo ex-deputado eram em troca de contratos em vigor na Codesp [Companhia Docas do Estado de São Paulo]", explicou o delegado Eduardo Alexandre Fontes. Ele afirmou que Squassoni recebia como propina a mesada rotineiramente.

O procurador da República Thiago Lacerda Nobre explicou que o pagamento de propina, em troca da influência exercida pelo ex-deputado em gestões antigas da estatal, era feito de maneira variada. Segundo ele, houve também a tentativa de esconder indícios das ações ilícitas ao manipular um contrato em vigor para despistar a fiscalização.

A nova etapa da Operação Tritão teve como alvo 21 pessoas, incluindo o político e ex-diretores da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), administradora do porto, e empresários. Foram identificados dois contratos, que juntos passam de R$ 100 milhões, com indícios de fraude: um de segurança e outro de fiscalização por drone.

A delação do empresário Margio Jorge Paladino, um dos presos da fase inicial, deflagrada em outubro de 2018, e o aprofundamento das investigações fizeram com que a polícia concluísse que Squassoni transferiu para a estatal, onde exerceu influência política enquanto deputado federal, o mesmo esquema de corrupção que mantinha na época de vereador, como presidente da Câmara de Guarujá.